segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Perdoem-me se gosto de rótulos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim
E se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim
E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidosa, supor
Que és a maior e que me possuis
Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte, te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim

Quiseram fazer um quadro imitando um seriado gay famoso. Nomes e riscos se ligando, quando vi parecia ser algo empolgante, mas quando vi meu nome aos poucos sendo ligado a tantos outros, senti algo besta, como se nada valesse menos que um beijo. Conto em uma mão as que para mim valeram mais de que um risco nesse quadro.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Esse lugar me é estranho, não há cor e nem vida nessas paredes. Os passarinhos cantando sem parar me irritaram, os pingos da geladeira descongelando me lembram a chuva que eu desejava que caisse ontem para eu não ter que ir embora. Aqui estou, sozinha como sempre desejei, não há riso ou choro de crianças ou barulho de televisão, não há com quem dividir a cama ou horário para despertar.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu tô indo embora
Talvez eu volte
Um dia eu volto
Mas eu quero esquecê-la, eu preciso
Oh, minha grande
Ah, minha pequena
Oh, minha grande obsessão
Oh, minha honey baby

Penso em deletar orkut, sumir do msn e esquecer que o facebook existe. Sei que não terei a coragem de abandonar. Penso em não sair de casa, em não conhecer ninguém. Hoje recebi uma mensagem, que dizia assim: "vou dar um tempo fora. resolvi fazer uma internação voluntária, dae já fica sabendo. Beijo.", também recebi outros emails,e então, parece que tá todo mundo querendo fugir da vida, ou que a vida fuja. Tive muito tempo para pensar no que quero, mas só consegui descobrir o que não quero (vide post anterior). Mas talvez eu queira hábitos mais saudáveis, pessoas mais seguras, objetivos reais e um pouco de sanidade. As saudades que sentia semana passada já se foram, não existe nenhum lugar conhecido que eu deseje estar nesse momento, não existe ninguém que eu queira ver, não há um corpo a me esperar.

sábado, 31 de julho de 2010

quem te viu, quem te vê

Não quero esconder meu amor em baixo de um fundo falso, não quero uma vida clandestina, não quero os dramas e o dizquemediz. Não quero que ouçam Maria Gadú ou Ana Carolina, não quero sair de regata branca e me sentir uniformizada. Não quero "nhnenhem", odeio quem faz voz de criança, não suporto conversar sobre futebol. O que quero, eu não sei.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Lembrou daqueles últimos momentos, nem fazia tanto tempo assim que havia partido novamente, com promessas de não voltar por um bom tempo. Foram dias agradáveis, apreciavam a companhia mutua, havia uma tal de cumplicidade naqueles goles de cerveja no bar da praça, em baixo do guarda-sol, eram iguais agora, com experiências diferentes, mas talvez a mesma cabeça nas nuvens, ou melhor, no céu. Lembrou dos objetos estranhos sempre presentes naquela casa, no enorme pedaço de coral, no berimbau, numa dentadura achada na areia da praia, no quadro que foi achado em um bordel, na caixa de fotos, no colar de conchas pendurado na parede, nos livros estranhos em algum outro idioma. Lembrou, de quando havia um sofá e uma poltrona, lembrou do dia mais agradável de todos, quando tinha 6 anos e estava sentada nessa poltrona, assistindo qualquer coisa na televisão atentamente, quando surge uma cadelinha branca pulando e lambendo, o que pode fazer foi perguntar "ela vai morar aqui agora?", meu pai respondeu que ela já morava lá há algum tempo e que se chamava Penta. E ela era linda quando corria atras do rabo, quando tentava saltar pela janela ou quando ia me acordar com grandes lambidas, era uma peste quando comia os meus brinquedos e eu os via destroçados no seu coco, comeu todos minhas miniaturas da Turma da Mônica. Mas era mais linda quando ia para a praia e nadava divinamente, quando ia caminhar todas as manhãs, sem a coleira, e não arranjava nenhuma encrenca ou quando ia correndo atras da bicicleta, era linda e abatida quando deu a luz na cortina. E esteve reluzente em seu último dia, enquanto fazia as outras pessoas chorarem.

domingo, 25 de julho de 2010

Senti saudades da minha cama de lençóis brancos da Minnie, do abafado das chuvas de verão, do ventilador barulhento, do céu estrelado de nenhuma possibilidade, da macarronada com suco de maracujá que eu fazia reclamando, do manjericão da horta, do suor das sonecas à tarde, da minha obsessão por trancar todas as portas ao anoitecer, das madrugadas na internet, da falta de ter o que fazer, do silêncio cortado pelo barulho dos grilos.

Sinto saudades do verão, saudades da casa da minha mãe, saudades das panelas de inox, de ouvir o mesmo cd para arrumar a bagunça do quarto e saudades de não ser tão alheia.